Na busca por um lugar de fala mais consolidado e de inclusão com respeito às características individuais, os autistas têm cada vez mais atraído a atenção da sociedade para sua realidade. Uma das maneiras de fazer isso é se reunindo em entidades ou associações que debatem o tema, realizam ações e buscam sensibilizar as pessoas sobre os direitos, as necessidades específicas e as potencialidades das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).


Anualmente, a Associação Fortaleza Azul (FAZ), entidade que reúne cerca de 300 autistas e seus familiares, promove a Jornada de Autismo, evento que faz parte do calendário de atividades que marcam o Dia de Conscientização do Autismo, 02 de abril, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU). A quarta edição da Jornada será realizada nos dias 13 a 15 de abril, com programação gratuita e em formato virtual, sempre às 19 horas, trazendo painéis, palestras e rodas de conversa com autistas e seus familiares, profissionais de diversas áreas da saúde com especialização no atendimento a autistas e convidados.


A IV Jornada de Autismo terá como tema “Autismo: Informação, Ação, Inclusão – Distantes, mas conectados”. Toda a programação será transmitida ao vivo e simultaneamente, das 19 horas às 21 horas, nos perfis da Fortaleza Azul – FAZ no Facebook e no Youtube. A realização da Jornada é da Associação Fortaleza Azul (FAZ), com patrocínio da Adaptro – Centro de (Re)Habilitação Integrado – e do CEATD – Centro Especializado em Autismo e outros Transtornos do Desenvolvimento.


Para Erika Rolim, vice-presidente da FAZ, a Jornada é mais uma oportunidade de dar visibilidade às pessoas com TEA e de demonstrar que elas têm direito de participar da sociedade à sua maneira. “É ainda uma forma de mostrar a necessidade de se proporcionar condições para que esse processo de inclusão se efetive na prática”, diz Érika.

Programação
No primeiro dia da Jornada, terça-feira, dia 13, será feita a abertura do evento, seguida de duas rodas de conversa, às 19h10, com o tema “Representatividade e Lugar de Fala”, com as participações dos autistas Juliana Santos (artista), Grace (estudante de Medicina), Fábio Mourajh (escritor) e Blue Pinto (artista plástica); e às 20h20 com o tema “A importância dos Esportes para o Desenvolvimento do Autista”, com o professor Felipe Nilo.


Já na quarta-feira, dia 14, serão realizadas palestras em áreas ligadas à saúde. Às 19 horas, com o tema “Qual a função das estereotipias/stims nos autistas?”, com a psicóloga Mayra Laís e com a pedagoga Fernanda Cavalieri, mãe atípica de gêmeos. Às 10 horas, o tema será “Diagnóstico de Autismo na Fase Adulta”, com o psiquiatra Alexandre Aquino e com o musicoterapeuta Glairton Santiago, recém diagnosticado autista.


O terceiro e último dia da Jornada, a quinta-feira, dia 15, terá a presença de dois profissionais da Medicina especializados em autismo. Às 19 horas, será realizada a palestra “Analisando o aumento da prevalência de TEA: o que tem por trás de tudo isso?”, com o médico neuropediatra André Pessoa. Às 19h50, será a vez da palestra “Discussões Pós-Diagnóstico”, com o médico neuropediatra Sávio Caldas.

Dados sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA)
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que há cerca de 70 milhões de pessoas com autismo em todo o mundo. No Brasil, ainda não é possível quantificar as pessoas que possuem o espectro, pois não há dados oficiais sobre o assunto. Somente em 2019 foi sancionada a lei 13.861/2019, que prevê a inclusão de perguntas sobre o TEA no censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Site externo (IBGE), mas devido à pandemia, o levantamento que deveria ter sido realizado em 2020 foi adiado.


Por falta de pesquisas concretas sobre a prevalência no país, o Brasil se baseia nos estudos do Center of Deseases Control and Prevention (CDC), agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, que, em março de 2020, divulgou dados que mostram uma prevalência de uma em cada 54 crianças com autismo no mundo. Seguindo essa conta, o Brasil apresenta mais de três milhões de pessoas com TEA.
Outro relatório do CDC sugere que estão acontecendo mais diagnósticos precoces de 2014 para 2016, o que leva a crer que cuidadores e profissionais de saúde estão detectando o autismo mais cedo. Isso pode estar relacionado à crescente conscientização da sociedade e também entre os profissionais de saúde sobre a necessidade de triagem e tratamento do TEA.

FONTE: O ESTADO CE