O governador Camilo Santana (PT) tentou efetuar uma compra de 1,4 milhão de doses da vacina da Pfizer, desenvolvida em parceria com o laboratório BioNtech. Em ofício enviado em dezembro do ano passado, quando a vacinação ainda não estava em curso no País, o gestor ratificou solicitação que já havia sido encaminhada, no mesmo mês, pelo secretário estadual da Saúde, Dr. Cabeto, manifestando interesse na compra do imunizante.

Conforme resposta enviada pela empresa produtora da vacina, a negociação não foi possível devido às tratativas estarem sendo travadas, à época, com o governo federal, inviabilizando a venda para estados, de modo a não comprometer a disponibilidade de doses a nível mundial. Ainda segundo o comunicado da Pfizer, isso só poderia ser discutido após o fechamento das negociações com a gestão federal – o que acabou só ocorrendo em março deste ano, com a compra de 100 milhões de doses para o segundo e o terceiro semestre de 2021.


Desde então, o governo estadual voltou a negociar a compra com a empresa, mantendo ainda negociação para compra de doses da Sputnik V, da Rússia. Vacinas da Pfizer estão sendo aplicadas hoje por meio do Plano de Operacionalização para Vacinação contra a Covid-19 no Ceará.


Alternativas
A procura por mais doses de vacina para o Estado tem sido pauta recorrente para o governador na última semana. Na última terça-feira (11), Camilo fez um pronunciamento público para prestar apoio ao desenvolvimento da vacina HH-120-Defenser, desenvolvida no Laboratório de Biotecnologia e Biologia Molecular (LBBM) da Universidade Estadual do Ceará (Uece). Na ocasião, o secretário estadual da Ciência e Tecnologia, Inácio Arruda, pontuou que o governo vai dar o suporte financeiro necessário para dar continuidade à pesquisa, que pode ser terminada em meados de 2022. Caso isso se efetive, o Ceará poderá ter uma vacina própria contra a covid-19.


Justiça
Enquanto isso, na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), a chegada de novas vacinas no Estado foi tema de pronunciamento no plenário nesta quinta-feira. O deputado estadual Romeu Aldigueri (PDT) repercutiu, na ocasião, a decisão da Justiça que determinou que o governo federal envie 25 mil doses da vacina CoronaVac ao Estado, conforme divulgado na véspera. A determinação veio após uma Ação Civil Pública (ACP) ser apresentada pelo Governo do Estado do Ceará e outros órgãos com o objetivo de garantir a aplicação da imunização contra a covid-19 no público que está com a segunda dose atrasada.


Segundo o parlamentar, trata-se de uma vitória do Executivo cearense, conquistando o direito de receber doses para serem aplicadas em uma parcela da população que precisa concluir a imunização. Ele também lamentou que tenha sido necessário buscar esse direito na Justiça, em crítica à gestão federal.


O próprio governador comentou a decisão, após ela ter sido publicizada. “Na decisão, o juiz determina que não poderá haver compensação entre doses adicionais decorrentes da ordem judicial e as que deveriam ser regularmente enviadas ao Ceará. Não temos medido esforços para garantir que os nossos irmãos e irmãs cearenses sejam vacinados o mais rápido possível”, pontua ele, ressaltando ainda que a ação que resultou na decisão foi movida em parceria com o Ministério Público Eleitoral (MPE), o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Defensoria Pública do Estado (DPE) e a da União (DPU).

FONTE: O ESTADO CE